Archivos da paixão
terça-feira, novembro 30, 2004
 
FRASES [4]
"Como habitualmente, os primeiros lugares [do ranking] são ocupados por escolas do ensino particular e cooperativo, seguidas por escolas secundárias públicas, alternando umas e outras no lugar que ocupam, ano após ano. Entre as primeiras 10 destes "rankings", três escolas privadas apresentam resultados de 9, 18 e 21 alunos e a pública refere-se a 733 alunos."

Augusto Pascoal, Expresso, 6 Nov 2004

***

"Já se percebeu que algumas escolas privadas têm propinas muito elevadas, condições excepcionais de funcionamento, estruturas de apoio que correspondem às necessidades, corpo docente qualificado e estável, sequencialidade de estudos, actividades curriculares e extracurriculares diversificadas, muitas vezes à medida das possibilidades que as famílias dos alunos têm para lhes corresponder."

Augusto Pascoal, Ibidem

***

"Se se fizerem estatísticas rigorosas, é até bem possível que se descubra que o superior público talvez seja maioritariamente frequentado por jovens que vieram do particular e cooperativo e que as famílias que pouparam no secundário, estão agora a assumir propinas elevadas no superior particular e cooperativo."

Augusto Pascoal, Ibidem

***

"Muitas famílias acreditam predominantemente no ensino público, independentemente das suas possibilidades financeiras, atendendo à sua reconhecida qualidade."

Augusto Pascoal, Ibidem

***

"Todas as escolas são diferentes. Cada escola é uma realidade própria, única, complexa e irrepetível, até de ano para ano. Cada uma tem a sua idiossincrasia, vive na intimidade e no esoterismo do seu funcionamento, relaciona-se e interage de forma diferente com os agentes educativos, culturais e socioeconómicos envolventes. Por este motivo, não é possível comparar o que é manifestamente incomparável, mas interessa conhecer e perceber o que fazem e as boas práticas que desenvolvem no privado e no público e centrar o debate na vertente pedagógica e nas condições que viabilizam melhores resultados, muitas vezes não mensuráveis pelas classificações obtidas pelos seus alunos nos exames de acesso ao ensino superior."

Augusto Pascoal, Ibidem

***

"Neste contexto, os "rankings" podem consituir um bom desafio e um óptimo pretexto para, sem reservas de nenhum tipo, tudo fazermos para que o nosso sistema educativo evolua segura e rapidamente e se encontre finalmente com o país que deve servir. O debate pedagógico poderá finalmente ocupar o lugar a que tem direito."

Augusto Pascoal, Ibidem

domingo, novembro 21, 2004
 
"Queremos que os alunos encontrem na escola outros espaços, além do curricular. Isso os enriquece demais."

Mauro de Salles Aguiar




[Jornal do Band] Num cenário cada vez mais competitivo - e estamos falando de vestibulandos -, qual o papel que cabe a uma instituição como o Colégio Bandeirantes?
[Mauro de Salles Aguiar] Nós temos uma missão bastante clara: colocar nossos alunos nas melhores instituições de ensino superior do país. Os números mostram que temos atingido nosso objetivo. Nossos alunos obtêm os mais altos índices de aprovação nos principais vestibulares. Em 2001, por exemplo, obtivemos 15% das vagas de Medicina na USP, 14% das cadeiras na Escola Paulista de Medicina, 13% das vagas de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. Sessenta e três alunos nossos foram aprovados, em 2001, na Escola Politécnica. Uma outra escola, cujos alunos conseguiram o segundo melhor resultado, conseguiu aprovar ali 24 alunos. E o número de candidatos da referida escola era praticamente o mesmo. Respondendo à sua pergunta, nosso papel continuará sendo o mesmo: colocar nossos alunos nas melhores instituições de ensino superior do país.

[JdB] E qual o segredo do sucesso?
[MdSA]
Não há segredo. Mantemos programas de capacitação de professores, incluindo mestrado e doutorado no exterior, projetos especiais, programas culturais, laboratórios e biblioteca de alto padrão, trabalhos sistematizados de apoio emocional aos adolescentes e uma das mais altas médias salariais do mercado. Além disso, somos líderes em Tecnologia Aplicada à Educação. Os resultados dos investimentos que fazemos, em todos os sentidos, não se manifestam apenas nos exames vestibulares. No Exame Nacional do Ensino Médio, de 2000, 79,23% de nossos alunos tiveram avaliação entre bom e excelente. Nenhum deles teve desempenho insuficiente. Por meio de vários projetos, procuramos atender as diferentes demandas dos alunos. Oferecemos a eles opções para que se desenvolvam plenamente. Queremos que eles encontrem na escola outros espaços, além do curricular. Isso os enriquece demais.

[JdB] Esta é a 50.a edição do Band. Qual sua avaliação do jornal?
[MdSA]
O Band é o principal instrumento de comunicação do Colégiocom sua comunidade. Nesse sentido ele tem sido bastante eficiente. Temos mantido esses vínculos. E é preciso entender que essa comunicação não se dá apenas com atuais alunos e seus pais, mas também com os que passaram por aqui. O jornal tem ainda um outro papel importantíssimo, que é o contato com os formadores de opinião: empresários, políticos, artistas, jornalistas. É preciso que o trabalho realizado no Bandeirantes seja conhecido além de suas fronteiras, alcançando outros públicos.

[JdB] O Band tem cumprido seu papel?
[MdSA]
Sim. Embora com outro nome - Educação Ilimitada -, o Band nasceu com uma vontade muito grande de não ser aquele, sem querer ser pejorativo, "jornalzinho" de escola que fala apenas de pequenos acontecimentos internos. Claro que tais acontecimentos são importantes para os alunos que deles participam. Mas a idéia sempre foi discutir comportamento, fatos importantes para a sociedade. O objetivo sempre foi o de publicar matérias de interesse dos alunos, dos pais, de uma forma mais ampla. Algumas matérias funcionam como material didático para a própria escola. É o caso, por exemplo, da entrevista com Alberto Pfeifer. Foi um material didático importante sobre globalização, Alca, Mercosul, União Européia, blocos econômicos, relacionamento entre os países, posicionamento do Brasil sobre acordos comerciais.

[JdB] E a relação com os ex-alunos?
[MdSA] Em todos lugares que vou, encontro ex-alunos bem-sucedidos. Sempre lhes peço um cartão e os passo aos responsáveis pelo jornal, para que eles sejam entrevistados, contem suas experiências. É importante que a atual comunidade que freqüenta o Bandeirantes conheça exemplos práticos do esforço que tem feito o Colégio para que eles freqüentem uma universidade de primeira linha. É interessante perceber que as manifestações de apreço desses ex-alunos pelo Colégio não têm nada de forçado. Isso é fantástico. É bom encontrar cidadãos felizes, profissionais realizados nos diferentes campos de atuação.

[Jornal do Band]


sábado, novembro 13, 2004
 
“Medidas de acalmia de tráfego tiveram um carácter piloto”
[PdE] As duas faixas da estrada nacional 10, pelo menos entre a Cova da Piedade e Corroios, separadas por traço contínuo, não serão susceptíveis de provocar problemas na fluidez do tráfego? Dificultando a passagem de veículos prioritários e, por maioria de razão, a circulação em bicicleta?
[AInf] A velha Estrada Nacional 10 será requalificada de forma a se tornar num arruamento urbano que encoraje a vivência do espaço público, a vitalidade dos espaços comerciais e protecção ambiental dos residentes (baixando o nível de tráfego e consequentemente o ruído e poluição atmosférica). Neste sentido o tráfego de atravessamento que actualmente utiliza este eixo, terá que ser desviado para a Variante da EN10. Simultaneamente a implementação de um modo de transporte rápido e fluído é expectável que encorajará a transferência de utilizadores do transporte individual para o Metro. Tendo estes objectivos em vista, o futuro arruamento urbano entre Corroios e a Cova da Piedade foi desenhado de forma a baixar as velocidades e fazer os atravessamentos pedonais mais confortáveis (evitando por isso mesmo as ultrapassagens). A circulação das bicicletas será assegurada pelos percursos cicláveis já referidos.

[PdE] As medidas para a acalmia do trânsito, tão amigáveis da circulação em bicicleta, vão repercutir em que troços das freguesias da Cova da Piedade e do Laranjeiro, onde habito?
[AInf] As medidas de acalmia de tráfego implementadas no âmbito do Plano de Mobilidade: Acessibilidades 21 a que se refere, tiveram um carácter piloto e outras medidas do mesmo tipo serão implementadas noutras zonas da cidade que o Plano assinalou como perigosas ou próximas de movimentos pedonais sensíveis (como por exemplo escolas, Centros de Dia, paragens de transporte rodoviário). Para mais detalhes sobre quais são as zonas previstas para a implementação deste tipo de medidas poderá consultar o Plano de Mobilidade na Ecoteca ou nos Serviços Técnicos da Câmara.

[PdE] Que outras medidas a CMA preconiza para estimular a utilização de outros meios de transporte alternativos ao automóvel e sobretudo para incentivar a utilização da bicicleta?
[AInf] O Plano de Mobilidade, actualmente em implementação, teve como princípio fundamental, de forma inovadora, ter uma metodologia que deu atenção a todos os modos de transporte e a integração entre eles. Para alem do Plano de Mobilidade, a CMA esta a implementar o Plano Almada Ciclavel, que estenderá o conceito de percursos de bicicleta ao resto do Concelho.

[Quest.: José Gustavo Teixeira]

 
“A CMA defende o transporte de bicicletas no futuro Metro.”
[PdE] De que modo o espaço canal vai ser, em geral, qualificado para os ciclistas?
[AInf] Sempre que há espaço disponível e a velocidade e quantidade de tráfego o justifique, o Projecto de Requalificação do Espaço Canal prevê a construção de espaços dedicados à circulação da bicicleta.

[PdE] A utilização da bicicleta vai ser mais facilitada, mesmo nas vias de circulação do MST?
[AInf] Como foi referido na resposta 1, e por razões de segurança, a plataforma do Metro é exclusiva à circulação das composições do metro.

[PdE] Vão ser construídas ciclovias em parte do percurso do MST? Em que partes?
[AInf] Entre o terminal de Corroios e o centro do Laranjeiro, haverá no Espaço Canal a requalificar uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro. O Plano de Mobilidade propôs a implementação de um percurso ciclável entre o Laranjeiro – Parque da Paz – Cova da Piedade – Cacilhas. No troço da Universidade haverá uma ciclovia no espaço a requalificar pelo projecto do Metro entre a Ramalha – Viaduto sobre a A2 – Terminal do Pragal e entre a Fomega e a Universidade. Entre estes dois pontos o percurso ciclável utilizará o Jardim Filipa d´Água.

[PdE] O transporte de bicicleta no interior das carruagens será objecto de tarifa própria?
[AInf] A Câmara Municipal de Almada defende que seja permitido o transporte de bicicletas no futuro metro. No entanto, o Caderno de Encargos do concurso Internacional que escolheu a futura concessionária não exigia que tal aconteça. De momento nada está decidido em relação ao assunto.

[Quest.: José Gustavo Teixeira]

 
AlmadaInforma esclarece dúvidas e perplexidades sobre opções do traçado do metropolitano de superfície [cont.]
"Entre Corroios e Laranjeiro haverá uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro."


“A CMA defende o transporte de bicicletas no futuro Metro.”

[PdE] De que modo o espaço canal vai ser, em geral, qualificado para os ciclistas?
[AInf] Sempre que há espaço disponível e a velocidade e quantidade de tráfego o justifique, o Projecto de Requalificação do Espaço Canal prevê a construção de espaços dedicados à circulação da bicicleta.

[PdE] A utilização da bicicleta vai ser mais facilitada, mesmo nas vias de circulação do MST?
[AInf] Como foi referido na resposta 1, e por razões de segurança, a plataforma do Metro é exclusiva à circulação das composições do metro.

[PdE] Vão ser construídas ciclovias em parte do percurso do MST? Em que partes?
[AInf] Entre o terminal de Corroios e o centro do Laranjeiro, haverá no Espaço Canal a requalificar uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro. O Plano de Mobilidade propôs a implementação de um percurso ciclável entre o Laranjeiro – Parque da Paz – Cova da Piedade – Cacilhas. No troço da Universidade haverá uma ciclovia no espaço a requalificar pelo projecto do Metro entre a Ramalha – Viaduto sobre a A2 – Terminal do Pragal e entre a Fomega e a Universidade. Entre estes dois pontos o percurso ciclável utilizará o Jardim Filipa d´Água.

[PdE] O transporte de bicicleta no interior das carruagens será objecto de tarifa própria?
[AInf] A Câmara Municipal de Almada defende que seja permitido o transporte de bicicletas no futuro metro. No entanto, o Caderno de Encargos do concurso Internacional que escolheu a futura concessionária não exigia que tal aconteça. De momento nada está decidido em relação ao assunto.


“Medidas de acalmia de tráfego tiveram um carácter piloto”

[PdE] As duas faixas da estrada nacional 10, pelo menos entre a Cova da Piedade e Corroios, separadas por traço contínuo, não serão susceptíveis de provocar problemas na fluidez do tráfego? Dificultando a passagem de veículos prioritários e, por maioria de razão, a circulação em bicicleta?
[AInf] A velha Estrada Nacional 10 será requalificada de forma a se tornar num arruamento urbano que encoraje a vivência do espaço público, a vitalidade dos espaços comerciais e protecção ambiental dos residentes (baixando o nível de tráfego e consequentemente o ruído e poluição atmosférica). Neste sentido o tráfego de atravessamento que actualmente utiliza este eixo, terá que ser desviado para a Variante da EN10. Simultaneamente a implementação de um modo de transporte rápido e fluído é expectável que encorajará a transferência de utilizadores do transporte individual para o Metro. Tendo estes objectivos em vista, o futuro arruamento urbano entre Corroios e a Cova da Piedade foi desenhado de forma a baixar as velocidades e fazer os atravessamentos pedonais mais confortáveis (evitando por isso mesmo as ultrapassagens). A circulação das bicicletas será assegurada pelos percursos cicláveis já referidos.

[PdE] As medidas para a acalmia do trânsito, tão amigáveis da circulação em bicicleta, vão repercutir em que troços das freguesias da Cova da Piedade e do Laranjeiro, onde habito?
[AInf] As medidas de acalmia de tráfego implementadas no âmbito do Plano de Mobilidade: Acessibilidades 21 a que se refere, tiveram um carácter piloto e outras medidas do mesmo tipo serão implementadas noutras zonas da cidade que o Plano assinalou como perigosas ou próximas de movimentos pedonais sensíveis (como por exemplo escolas, Centros de Dia, paragens de transporte rodoviário). Para mais detalhes sobre quais são as zonas previstas para a implementação deste tipo de medidas poderá consultar o Plano de Mobilidade na Ecoteca ou nos Serviços Técnicos da Câmara.

[PdE] Que outras medidas a CMA preconiza para estimular a utilização de outros meios de transporte alternativos ao automóvel e sobretudo para incentivar a utilização da bicicleta?
[AInf] O Plano de Mobilidade, actualmente em implementação, teve como princípio fundamental, de forma inovadora, ter uma metodologia que deu atenção a todos os modos de transporte e a integração entre eles. Para alem do Plano de Mobilidade, a CMA esta a implementar o Plano Almada Ciclavel, que estenderá o conceito de percursos de bicicleta ao resto do Concelho.

[Quest.: José Gustavo Teixeira]

 
AlmadaInforma esclarece dúvidas e perplexidades sobre opções do traçado do metropolitano de superfície
"Entre Corroios e Laranjeiro haverá uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro."


Durante meses utilizei a bicicleta nas minhas deslocações entre a casa e a escola. Apesar das dificuldades de circulação, do tráfego intenso e da ausência completa de ciclovias nos meus percursos, a opção por uma alternativa de duas rodas com pedais... pareceu-me interessante e viável. Depois as obras no espaço canal para a circulação do Metropolitano de Superfície vieram desregular tudo. A estrada nacional 10 tornou-se um percurso a evitar. Um ano mais tarde a obra continua – não sem alguns acidentes de percurso e derrapagens no tempo de execução dos trabalhos – e só muito lentamente se começa a vislumbrar alguma coisa do que será, lá para o final de 2005, a rede do MST (Metropolitano Sul do Tejo).

De acordo com os documentos publicados no sítio da Câmara Municipal de Almada os principais objectivos do MST são três: a articulação com as redes pesadas de transportes colectivos, a articulação com a rede de transporte individual e a captação de utentes nas zonas mais densamente povoadas.

Para esclarecer algumas dúvidas e perplexidades acerca do traçado do metropolitano e da sua compatibilidade com outros meios de transporte individual – nomeadamente a bicicleta – escrevi um breve questionário que enviei por correio electrónico para o Grupo de Missão e para o boletim AlmadaInforma, depois de ter lido um editorial do vereador António Matos. Recebi alguns dias depois a resposta, sem referência de autoria, proveniente daquela publicação autárquica. Aqui ficam as respostas, na íntegra. E o meu agradecimento aos serviços da Câmara Municipal de Almada por terem esclarecido um munícipe perplexo.



[paixão da educação] A linha de passagem do MST pode ser utilizada, nalguma circunstância, por outros veículos? Quais e em que circunstâncias?
[AlmadaInforma] Com base na experiência recolhida em projectos de metros de superfície em meio urbano noutras cidades europeias, conclui-se que a única forma de um metro ter uma fluidez e velocidade de forma a atrair utentes do Transporte Individual, é a sua circulação em Sítio Próprio. Tal significa que a plataforma do Metro em Almada, e a exemplo de outros metros modernos, é afecta à exclusiva circulação do Metro. Excepção será naturalmente nos pontos de atravessamento perpendicular em que a rede viária actual cruza a plataforma. Nesta situação haverá semaforização e o metro terá prioridade absoluta em relação ao tráfego viário. Em situações de emergência e muito esporádicas, se houver necessidade a circulação do metro será temporariamente interrompida e a plataforma poderá ser usada por veículos de emergência.


“A CMA defende o transporte de bicicletas no futuro Metro.”

[PdE] De que modo o espaço canal vai ser, em geral, qualificado para os ciclistas?
[AInf] Sempre que há espaço disponível e a velocidade e quantidade de tráfego o justifique, o Projecto de Requalificação do Espaço Canal prevê a construção de espaços dedicados à circulação da bicicleta.

[PdE] A utilização da bicicleta vai ser mais facilitada, mesmo nas vias de circulação do MST?
[AInf] Como foi referido na resposta 1, e por razões de segurança, a plataforma do Metro é exclusiva à circulação das composições do metro.

[PdE] Vão ser construídas ciclovias em parte do percurso do MST? Em que partes?
[AInf] Entre o terminal de Corroios e o centro do Laranjeiro, haverá no Espaço Canal a requalificar uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro. O Plano de Mobilidade propôs a implementação de um percurso ciclável entre o Laranjeiro – Parque da Paz – Cova da Piedade – Cacilhas. No troço da Universidade haverá uma ciclovia no espaço a requalificar pelo projecto do Metro entre a Ramalha – Viaduto sobre a A2 – Terminal do Pragal e entre a Fomega e a Universidade. Entre estes dois pontos o percurso ciclável utilizará o Jardim Filipa d´Água.

[PdE] O transporte de bicicleta no interior das carruagens será objecto de tarifa própria?
[AInf] A Câmara Municipal de Almada defende que seja permitido o transporte de bicicletas no futuro metro. No entanto, o Caderno de Encargos do concurso Internacional que escolheu a futura concessionária não exigia que tal aconteça. De momento nada está decidido em relação ao assunto.


“Medidas de acalmia de tráfego tiveram um carácter piloto.”

[PdE] As duas faixas da estrada nacional 10, pelo menos entre a Cova da Piedade e Corroios, separadas por traço contínuo, não serão susceptíveis de provocar problemas na fluidez do tráfego? Dificultando a passagem de veículos prioritários e, por maioria de razão, a circulação em bicicleta?
[AInf] A velha Estrada Nacional 10 será requalificada de forma a se tornar num arruamento urbano que encoraje a vivência do espaço público, a vitalidade dos espaços comerciais e protecção ambiental dos residentes (baixando o nível de tráfego e consequentemente o ruído e poluição atmosférica). Neste sentido o tráfego de atravessamento que actualmente utiliza este eixo, terá que ser desviado para a Variante da EN10. Simultaneamente a implementação de um modo de transporte rápido e fluído é expectável que encorajará a transferência de utilizadores do transporte individual para o Metro. Tendo estes objectivos em vista, o futuro arruamento urbano entre Corroios e a Cova da Piedade foi desenhado de forma a baixar as velocidades e fazer os atravessamentos pedonais mais confortáveis (evitando por isso mesmo as ultrapassagens). A circulação das bicicletas será assegurada pelos percursos cicláveis já referidos.

[PdE] As medidas para a acalmia do trânsito, tão amigáveis da circulação em bicicleta, vão repercutir em que troços das freguesias da Cova da Piedade e do Laranjeiro, onde habito?
[AInf] As medidas de acalmia de tráfego implementadas no âmbito do Plano de Mobilidade: Acessibilidades 21 a que se refere, tiveram um carácter piloto e outras medidas do mesmo tipo serão implementadas noutras zonas da cidade que o Plano assinalou como perigosas ou próximas de movimentos pedonais sensíveis (como por exemplo escolas, Centros de Dia, paragens de transporte rodoviário). Para mais detalhes sobre quais são as zonas previstas para a implementação deste tipo de medidas poderá consultar o Plano de Mobilidade na Ecoteca ou nos Serviços Técnicos da Câmara.

[PdE] Que outras medidas a CMA preconiza para estimular a utilização de outros meios de transporte alternativos ao automóvel e sobretudo para incentivar a utilização da bicicleta?
[AInf] O Plano de Mobilidade, actualmente em implementação, teve como princípio fundamental, de forma inovadora, ter uma metodologia que deu atenção a todos os modos de transporte e a integração entre eles. Para alem do Plano de Mobilidade, a CMA esta a implementar o Plano Almada Ciclavel, que estenderá o conceito de percursos de bicicleta ao resto do Concelho.


DESTAQUES:


"A única forma de um metro ter uma fluidez e velocidade de forma a atrair utentes do Transporte Individual, é a sua circulação em Sítio Próprio."

"O metro terá prioridade absoluta em relação ao tráfego viário."

"Entre o terminal de Corroios e o centro do Laranjeiro, haverá no Espaço Canal a requalificar uma ciclovia adjacente à plataforma do Metro."

"A Câmara Municipal de Almada defende que seja permitido o transporte de bicicletas no futuro metro."

"O futuro arruamento urbano entre Corroios e a Cova da Piedade foi desenhado de forma a baixar as velocidades e fazer os atravessamentos pedonais mais confortáveis."


[Quest.: José Gustavo Teixeira]

segunda-feira, novembro 08, 2004
 
Leituras em dia (2)


A Criança e a vida, Maria Rosa Colaço, Edições Gailivro, 43ª edição

"A escola que me deram não era um desses poéticos lugares, brancos e cheios de flores, com que sonhamos no fim do curso: era um velho primeiro andar, de uma rua suja de sal, pregões e humidade.
(...) Os rapazes que me deram também não tinham nada de comum com esses meninos de bata branca, normais nos primeiros dias de aula e que as mãezinhas nos entregam como se fossem porcelana."

 
EM DESTAQUE (1):
I Colóquio de Sociologia da Educação e Administração Educacional 30 Anos de Governo Democrático das Escolas em Portugal Universidade do Minho - Braga

DIA 5 DE NOVEMBRO
9h00m Sessão de abertura
9h30m Conferência: "Gestão democrática das escolas: Da Revolução à Reforma"
Licínio C. Lima (Universidade do Minho) - Moderador: Fátima Antunes
11h00m Pausa para café
11h15m Painel "Experiências de gestão democrática - entre o "velho" e o "novo" modelo de gestão: continuidades e rupturas"
Professores com diferentes experiências de "gestão democrática"; Membros de associações de pais/pais; Membros de associações de estudantes/alunos - Comentador: Almerindo Janela Afonso
12h30m Intervalo para almoço
14h00m Conferência: "A construção do projecto educativo da escola: traços de um percurso debilmente articulado"
J. A. Costa (Universidade de Aveiro) - Moderador: Carlos Gomes
15h30m Pausa para café
15h45m Painel "Democracia e participação na organização escolar"
"Escola pública: gestão democrática, colegialidade e individualismo"
António Neto Mendes
"Os espaços e os tempos do associativismo estudantil: reabrindo os arquivos de uma investigação na escola secundária portuguesa"
José Augusto Palhares
"Configurações culturais e o processo de construção da "gestão democrática" numa escola secundária (1974-2000)"
Leonor Torres
"Políticas neo-liberais e neo-conservadoras e o poder de participação dos pais"
Virgínio Sá - Comentador: Natércio Afonso

DIA 6 DE NOVEMBRO
9h00m Painel: "Políticas e Processos de Gestão Democrática: As Portas que Abril Abriu"
António Teodoro, Carlos Vilar Estêvão, Fátima C. Sanches, Stephen Stoer - Comentador: Eugénio Silva
10h30m Pausa para café
11h00m Conferência: "A autonomia das escolas oito anos depois"
João Barroso (Universidade de Lisboa) - Moderador: Custódia Rocha
12h30m Momento cultural

12h45m Sessão de encerramento

 
FRASES (3)
"[Se eu fosse Presidente] mandava fazer um livro branco sobre a Justiça e promovia a entrega da gestão das escolas às autarquias."

António Barreto ao Público, 1 Nov 2004

***

"A divulgação do ranking tem reforçado a visão apocalíptica da escola portuguesa actual, retrato que contrasta com o de um passado idílico, paraíso perdido onde os professores verdadeiramente exigiam e ensinavam - e os alunos aprendiam."

Ana Bela Silva, Ibidem, 1 Nov 2004

***

"Num deslumbramento típico de recém-chegados à literacia aritmética, cai-se no erro primário de julgar que os números falam por si e arrumam a realidade (a escola) em categorias naturalmente transparentes... Ora uma média não é um dado neutro, mas um indicador construído que sintetiza uma tendência central, resultado de operações (sempre discutíveis) de escolha. Faz parte das regras do jogo (científico) discutir a adequação dos instrumentos de medida àquilo que se quer medir, às características dos contextos em que se vão aplicar. A construção de rankings assenta implicitamente em pressupostos de partida, e nele espelham-se não só dimensões da escola-objecto-avaliado como pontos de vista dos autores-sujeitos-avaliadores..."

Ana Bela Silva, Ibidem, 1 Nov 2004

***

"O ranking aplana a heterogeneidade da população escolar, mais valia típica das escolas públicas que acolhem alunos com bagagens, trajectórias ou ambições escolares diversas - sinais de tempos diferentes. Da pré-modernidade: saídas e abandonos precoces, ingresso prematuro no mercado de trabalho, alunos "a tempo parcial", contextos familiares pouco escolarizados. E da modernidade: alunos "a tempo inteiro", famílias escolarizadas e mobilizadas para o sucesso escolar dos filhos."

Ana Bela Silva, Ibidem, 1 Nov 2004

***

"Os alunos não são marionetas passivas do sistema de ensino; podem usar competentemente as regras do jogo e gerir, em benefício próprio e num ano difícil como o 12º, as diversas cartas do seu baralho escolar - ora para entrar no ensino superior, ora simplesmente para concluir o secundário. As notas do exame não assumem, portanto, a mesma importância em todas as disciplinas. Um exemplo. Um aluno do Agrupamento I que queira ingressar num curso de engenharia informática (específica: matemática) e possua uma média confortável do secundário, pode simplesmente desinvestir do estudo para alguns exames (ex: Química, Biologia); a nota que neles obtiver (0 ou 20) em nada afectará a sua nota da candidatura ao ensino superior. Sobre nenhum destes processos se fala ao falar do ranking das escolas..."

Ana Bela Silva, Ibidem, 1 Nov 2004

***

"Trabalhar para o ranking" pode tornar-se um novo e perverso objectivo pedagógico das escolas: selecção subtil dos alunos que entram no 10º ano; não oferta de cursos do ensino tecnológico, onde estatisticamente se concentram os piores resultados académicos; limitação criteriosa de disciplinas de opção problemáticas, em termos dos resultados nos exames; encorajamento à reorientação de curso ou opção, à própria auto-exclusão dos alunos com maiores dificuldades escolares; acentuação de retenções no 10º ou 11º ano como forma de "selecção natural" dos melhores à frequência do 12º ano."

Ana Bela Silva, Ibidem, 1 Nov 2004

***

"Porque se [na vida política] tudo se passa num espaço público, tudo se passa numa encenação e não numa discussão a sério, onde é necessário convencer, ser convencido, dar um passo, ceder, ganhar. Isto só se faz com alguma confidencialidade, pelo que a ideia de que na política tudo deve ser transparente é uma ideia perversa e falsa. Falsa porque quando os políticos dizem que mostram tudo é porque se reservam algures, num bar de um hotel, num sítio esconso, para terem uma conversa privada."

António Barreto ao Ibidem, 1 Nov 2004

sábado, novembro 06, 2004
 
“No fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta”
[PdE] Com que regularidade acompanhou a escrita dos alunos nos seus blogues? Que tipo de apoio lhes prestou, que tipo de trabalho faz com eles a esse nível?
[LPJ] Durante as aulas de AP (em Évora só nesse momento acedia à net) e nos fins-de-semana. De resto os amigos divertiam-se a acompanhar os blogs dos alunos e mandavam-me as novidades mais estridentes.

Logo no início ainda tentei um acompanhamento via sistema de comentários, mas (para além de poder parecer um metediço) o elevado número de alunos a visitar tornava tudo isto impossível.

O melhor acompanhamento foi feito na aula. Episodicamente fazia uma vistoria ao conjunto dos blogues para os classificar de acordo com as notas que a “disciplina” AP permitia: “Não Satisfaz”, “Satisfaz” e “Satisfaz Bem”, transmutados em “tenho um blog pobrezinho”, “tenho um blog e posso melhorar” e “o meu blog é interessante” (não seria exactamente esta a expressão, mas não andarei longe); excepcionalmente criámos uma categoria para os mais que bons, o “está a dar que falar”.

Lá para o fim do ano, a maior parte dos alunos já não me queriam por perto; gostavam de resolver sozinhos as suas dificuldades operacionais.

[PdE] Quanto tempo costumava dedicar a este trabalho de acompanhamento? Em que altura do seu dia de trabalho o realizava?
[LPJ] Uma vistoria completa era todo um fim-de-semana de trabalho: abrir o blog de cada um, espreitar os arquivos, ver o HTML do código fonte quando havia erros na apresentação, insistir quando teimava em não abrir, para, finalmente, actualizar todos os links no template do Geografismos.

Na escola acabei afastado da sala de professores: passei a maioria dos intervalos da manhã na sala de informática, mas aí, o problema da lentidão na navegação em “horas de ponta” era demolidor.


[PdE] De que modo cruzava o seu trabalho de aula com o trabalho on-line de todos os participantes, inclusive o seu? Evocava frequentemente, em ambiente de aula, o trabalho realizado on-line?
[LPJ] As correcções dos testes escritos remeto-as sempre para o Geografismos (no fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta). Para alguns trabalhos maiores o mesmo aconteceu.
Como a maior parte dos alunos optou por não usar os blogs para criarem conteúdos relativos às aulas, ficou para o Geografismos o papel de ligação às matérias de estudo.
Procurei dar-lhes fontes de grande qualidade (apesar da questão do Inglês): imagens de satélite das principais agências espaciais, documentos de instituições de mérito internacional.

Na aula apenas evocava os materiais on-line enquanto complemento, nunca quis usá-los como base de trabalho. Oferecia complementos. Para quem queria ir mais além oferecia, sem o intuito de ser exaustivo, links e materiais on-line. E, sobretudo, procurei dar-lhes o melhor que há na Web internacional.

No Geografismos estão disponíveis apenas 27 links referentes à Geografia que tanto servem para o terceiro ciclo como para o ensino universitário; mas são do melhor que há em termos absolutos (servem para universitários, sem dúvida, mas como todos este sites têm materiais didácticos de excelente qualidade, adequados a diferentes níveis etários, não é desajustado remeter para tais links os alunos mais afoitos).

Misturar materiais mais acessíveis com outros de elevada qualidade permite-me, também, salvaguardar os alunos mais dotados: se avançar muito mais rapidamente que outros nas matérias de estudo, não terá, contudo, razões para ficar bloqueado ou saturado pelo ritmo mais lento dos restantes colegas.

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

 
"O Meu Prozac"
[PdE] A escrita regular no blog alterou de algum modo a relação dos alunos entre si, no contexto da escola e da sala de aula, e destes com o professor? – uma vez que este exercício de escrita veio introduzir uma nova dimensão de relação entre os vários intervenientes. Mudou a relação dos alunos com a disciplina?
[LPJ] Creio que sim. Tive revelações inesperadas do carácter e do trabalho com qualidade que um aluno de 12 anos pode dar. Fiz questão de não trazer para a Internet a relação do professor-aluno baseada na autoridade social, seria fugir desnecessariamente ao espírito da blogosfera.

Em simultâneo, fui sempre organizado, exigente, duro e fraterno, claro nas acções tomadas; enquanto que, pelo lado dos alunos, havia o interesse em não ficarem excluídos das sessões de trabalho; o somatório final reflectiu-se na sala de aula: queria um ambiente de equipa, de trabalho, mandava neles através do exemplo, impunha-me pelo conhecimento e experiência. Lá para o fim já não era necessário mandar, cada um sabia o seu papel. Ganhámos imenso tempo de trabalho com este espírito de grupo. Em Geografia, já sem PC’s, o ambiente continuava. (É claro que foram situações de aula pouco comuns e não podem servir de exemplo, mas trata-se do meu ideal de liderança de grupos e tento, actualmente, recriá-lo na nova escola – uma pena ter de recomeçar tudo, todos os anos).

[PdE] De que modo considera que estes novos recursos podem ser utilizados mais extensamente pelas escolas? Considera que as escolas, e nomeadamente os professores, estão a explorar estes recursos devidamente com os seus alunos?
[LPJ] Basta ter mais PC’s e boas ligações de banda larga. Mais cedo ou mais tarde surgirá alguém com vontade de usar estas ferramentas.

A segunda parte da vossa questão leva-nos à dificuldade da sub-exploração dos recursos, do desinteresse generalizado que não sei como podemos alterar; mas será irrelevante dar conselhos de como alguém deve proceder ou mudar de hábitos de trabalho, procedo eu, mudo eu e, ainda assim, já é o que é…

[PdE] O projecto para este ano lectivo mantém as premissas iniciais? Apenas mudam os protagonistas? Ou a eventualidade de mudar de escola, como deixa implícito no blog, obriga-o a partir do zero?
[LPJ] Mais ou menos. Estou mais afinado, posso ser mais eficaz. Veremos. Acabei por mudar de escola, comecei as aulas apenas a 11 de Outubro, pelo que ainda é cedo para perceber o rumo de tudo isto.

As novas dificuldades: as condições materiais. De escola para escola as condições físicas e os hábitos de trabalho são tão distintos que pequenos nadas tornam-se grandes obstáculos. Este ano, por exemplo, tenho de encontrar um servidor exclusivamente meu. A sala de informática está inoperacional, sendo o melhor espaço de trabalho uma secção da biblioteca com 10 PC’s ultra lentos e com os quais apenas podemos contar duas vezes ao longo do mês de Novembro e outras duas no mês de Dezembro. Também a quantidade de alunos é 3 vezes menos (porque só lecciona AP quem é DT).

As novas facilidades: os alunos e professores. Talvez haja mais gente interessada, alunos muito dedicados (é o que me parece por agora): já fizeram blogs apesar de termos tido uma única aula.

Desafio-me a encontrar uma solução à prova das oscilações conjunturais. Não será o melhor, mas, provavelmente, passará por centrar o trabalho na minha pessoa, depender de mim próprio. Irei inventando algumas respostas em prol da continuidade. Quem sabe o Geografismos não se venha a transformar no meu Prozac para estes dias de confusão educacional…

[Quest. Geografismos: "A cada professor, a cada aluno um blog!"]

 
CAIXA: "O Geografismos nasceu para dar o exemplo de como se faz."
Pedia-lhe uma síntese descritiva do projecto Geografismos, a anteceder as respostas ao questionário que se segue.

O Geografismos foi feito para ensinar alunos do 7º ano de Área de Projecto [AP] a criarem os seus próprios blogs individuais. Rapidamente passou a servir-lhes de ligação, suportando, também, materiais para as aulas de Geografia e contactos com os encarregados de educação ou público em geral. Aqui se publicitam as notas, trabalhos, matérias de estudo ou informações ligadas de uma forma ou outra à Geografia e ciência em geral.

Os primórdios:
Foi decisivo ser o professor de AP em 3 turmas de sétimo de ano. Não tinha par pedagógico e estava livre para inventar algo que desconhecia se teria ou não viabilidade.

Pude contar com a reserva da sala de informática para o ano lectivo inteiro. Informara-me dos limites às requisições e seus critérios, como contrapartida sugeri que cederia a sala sempre que preciso, bastando um aviso informal do colega interessado.

Visto a maioria dos alunos não contar com Internet em casa comecei com os rudimentos: criar contas de correio, usar programas básicos como o Paint, Internet Explorer e Explorador do Windows e algumas habilidades como o ctrl+z ou ctrl+c.

A simplicidade dos blogs permite que cada aluno tenha o seu, contudo é necessário um acompanhamento e conhecimentos mínimos: algum HTML, enviar ficheiros para servidores, criar e editar blogs. Nunca construíra um site, pelo que comecei do zero absoluto.

O Geografismos nasceu para dar o exemplo de como se faz.

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

 
Geografismos: uma experiência pedagógica entre a divulgação científica e o jornal de parede
“A cada professor, a cada aluno um blog!”

O geografismos - diário de campo on-line para alunos de Geografia – é o blog de Luís Palma de Jesus. Mas neste caso quem diz blog também diz projecto pedagógico concebido para jovens de 12 a 13 anos, com uma grande variedade de sugestões de trabalho no âmbito daquela disciplina. O geografismos “foi feito para ensinar alunos do 7º ano de Área de Projecto a criarem os seus blogs individuais”. Em pouco tempo o geografismos, “que nasceu para dar o exemplo de como se faz”, ajudaria os alunos de três turmas da escola EB 2,3 de Santa Clara, Évora, a criar e manter um total de 71 blogs. Em condições muito precárias de acesso, sem grandes incentivos, à sua conta. Do ano lectivo passado para este o diário de campo acompanhou a itinerância do professor que o criou e mantém actualizado quase diariamente. Hoje a experiência da descoberta renova-se. São outros alunos, é outra escola, outros problemas... a mesma dificuldade de acesso. Pedimos ao Luís Palma de Jesus que respondesse a um questionário que lhe enviámos por correio electrónico. Aqui ficam, na íntegra, as respostas às perguntas. Recomenda-se vivamente uma visita demorada ao geografismos. Tem muito para explorar e esteticamente é um primor.


[paixão da educação] Geografismos é um projecto pessoal, de trabalho conjunto com alunos, ou uma iniciativa partilhada com outros intervenientes da escola, num âmbito mais alargado?
[Luís Palma de Jesus]
É trabalho pessoal e assim deve continuar. Uma ferramenta que cada Director de Turma [DT], cada professor pode ter para linkar-se aos seus alunos. A cada professor um blog, a cada aluno um blog.

[PdE] Lendo os primeiros posts pareceu-nos que Geografismos começou por ser, sobretudo, uma plataforma de comunicação com os seus alunos, no âmbito da disciplina, e de apoio às aulas. E que depois evoluiu para um sítio com cruzamentos interdisciplinares e com conteúdos mais variados. Teve colaborações de outras áreas do saber, nomeadamente de outras disciplinas?
[LPJ] O crescimento fez-se por tentativa e erro. A expansão para temas associados à Geografia não teve outra justificação que não a de “interesses pessoais”. Desejei evoluir para um blog de “divulgação científica para alunos dos onze aos treze anos de idade” em simultâneo com o lado mais prático de um “jornal de parede”. Por circunstâncias casuais as colaborações foram demasiado raras e exteriores ao circuito do professorado, tratou-se de cedências de fotografias, jogos e outros materiais.

As melhores trocas vieram de outros blogs, ficando a questão interdisciplinar confinada a um papel residual. Enfim, tenho uma concepção do termo um tanto restrita e raramente o uso.


“Postar pelo menos duas vezes por semana”

[PdE] Qual a atitude dos seus alunos quando começou a desenvolver este projecto? Aceitaram a ideia como um desafio? Não teve recusas por parte deles? E como reagiram os pais?
[LPJ]
Obviamente impus-lhes os blogs. Na primeira aula pressenti-lhes a já clássica expectativa de trabalhar em grupo um tema escolhido por todos; forcei-os a aceitar a minha proposta, aliciando-os com dois argumentos: computadores e Internet. Tinha de ser assim, visto nenhum deles saber o que era um blog, ou como criar um site pessoal. Só a hipótese de termos a sala de informática por nossa conta levou a uma reacção entusiástica.

Para os convencer definitivamente apresentei-lhes o Geografismos e acrescentei uma selecção de meia dúzia de blogs que reuniam uma excelente qualidade escrita e gráfica e que sabia, à partida, agradar aos moços.

Antes de criarmos blogs treinámos algumas competências informáticas. Depois, foi só trabalhar com casos reais e claros. Mesmo quando desconhecia o que ia fazer no momento seguinte, dei sempre o exemplo. Creio que ajudou trabalharmos com objectivos muito simples: guardar e redimensionar imagens, criar uma conta de correio electrónico, inserir texto ou escrever tags HTML. Em momento algum deixei os alunos baralhados ou sem saber o que andavam para ali a fazer.

Por outro lado havia o entusiasmo das novas tecnologias. A sala de informática é um sucesso em qualquer escola (sobretudo pela possibilidade do Messenger, jogos e correio electrónico…) e, com um trabalho deste género, eles tinham para si, durante 90 minutos semanais, o objecto de desejo mais cobiçado.

[PdE] Que critérios foram sugeridos aos alunos para a concepção dos seus blogues particulares? – Fazemos esta pergunta ao verificarmos a grande variedade de opções temáticas e alguma diferença nos produtos finais.
[LPJ]
Pretendia sugerir-lhes o mínimo possível de critérios. Mas para desencadear o trabalho arrolei uma série de procedimentos técnicos a dominar. Depois, já o blog estava feito, registei hesitações: não sabiam como postar, nem o que escrever; parecia a famosa síndrome do escritor defronte da folha branca, alargado a um grupo de vinte e tantos alunos. Assim, e por uma única vez, ditei o que deveriam escrever: apresentarem-se ao público referindo a sua condição de alunos.

Por vezes esqueci que tinha perante mim alunos sem hábitos informáticos e senti-me defraudado com o tempo perdido em assuntos triviais.

Apenas hesitei quando reparei na calamidade do português escrito da maioria destes jovens bloguistas. Deveria intervir e corrigi-los? Felizmente o elevado número de alunos (71) impôs-me alguma sensatez. Era humanamente impossível corrigir tudo. Sei, agora, que uma intervenção de tipo policial é desmobilizadora; sei, agora, que os próprios tendem a autocorrigir-se e, por vezes, a corrigir os outros via sistema de comentários (uma questão de não passarem vergonhas).

Quanto a conteúdos nada sugeri. Tínhamos a seguinte regra: postar pelo menos duas vezes por semana (tarefa difícil, pois os 90 minutos de computação por turma, apesar de garantidos, estavam reduzidos a metade pela partilha dos pc’s por pares, pela lentidão do acesso à net ou pela inoperacionalidade dos servidores que alojavam os blogues).

Aproveitei ainda o facto dos alunos escreverem sistematicamente, em Formação Cívica, críticas e autocríticas sobre a semana de aulas (uma excelente sugestão do Paulo Leal, DT de uma das turmas envolvidas). Deviam postar os seus “Relatórios Críticos”.

Quanto à “liberdade de expressão” criei um limite: Não usar o blog para difamar professores ou alunos. Como os códigos do blog eram conhecidos unicamente pelo aluno, caso não respeitassem esta regra o link do blog seria retirado do Geografismos, o seu autor avaliado negativamente e remetido para outros trabalhos. Devo dizer que nunca, nem de perto, nem de longe, houve algum reparo a fazer.


“O gosto pelas TIC não era dominante na escola”

[PdE] Um projecto inovador como este, que envolveu não só a sua disciplina, mas também áreas curriculares não disciplinares, foi acompanhado com interesse pela escola, nomeadamente pelos colegas de trabalho mais directamente envolvidos com as turmas que participam?
[LPJ]
Não muito. Julgo que por mero acaso o gosto pelas TIC não era dominante na escola. Ao nível das turmas aconteceu que nenhum dos professores se sentia à vontade com as novas tecnologias. O assunto “blogs” era, ao momento, desconhecido, sendo, inclusive, o uso da informática em AP muito residual (normalmente, pesquisas no Google). Contudo esta aparente adversidade permitiu-me requisitar a sala de informática durante um ano inteiro sem prejudicar ninguém.

Factor explicativo, não menos importante, encontra-se no meu estatuto profissional que me leva, enquanto professor contratado, a deambular anualmente pelas mais distintas escolas. Chegar a um estabelecimento que já tem a sua “cultura de trabalho” e impor novidades, ou mudanças acentuadas, não será o mais natural. Compreendo que não haja tempo, disponibilidade e sensibilidade para calcular as consequências dum trabalho nestes moldes por parte de colegas que não me conhecem. E, de resto, será legítimo esperar que outros apreciem trabalhos on-line com a intensidade com que o faço?

[PdE] Teve apoios, inclusive aconselhamento técnico, de algum tipo para manter e desenvolver este sítio?
[LPJ] Felizmente o Geografismos é simples do ponto de vista técnico, e qualquer um, imbuído de empenho mínimo, pode fazer igual. Não houve, nem foi necessário, ajudas externas. Aliás, a sua evolução pautou-se pela regra do “simples”: ter apenas o necessário e sem adornos. Ferramentas elaboradas ou exóticas não interessam. O ideal perseguido foi ter lá bons conteúdos e evitar complexidades técnicas. A consequência imediata foi uma simplicidade que me salvou da dependência de “oscilações laborais”.

A ajuda que pedi, e tive, foi espaço no servidor da escola para alojar documentos e imagens. Mas este é um vínculo a não manter no futuro, pois arrisco mudanças sucessivas de escola, as equipas técnicas estão sujeitas a constantes alterações, e, quem venha, não irá perceber, por exemplo, porque há uma pasta aparentemente inútil, a ocupar 25 MB de espaço alojados, no longínquo ano de 2003, no servidor de uma escola onde não trabalho…

Enfim, mesmo que houvesse inúmeros “apoios” e “aconselhamentos técnicos” convirá não depender deles.


“Pessoalmente senti sucesso por todo o lado.”

[PdE] O interesse dos alunos manteve-se a bom nível durante todo o ano ou sofreu flutuações e momentos baixos? Como conseguiu motivá-los para este trabalho?
[LPJ] Creio que o interesse foi razoável e constante. O senão era uma falta de hábitos de leitura e escrita. Se reparar escreveram pouco e, nesse pouco, sobressai o mau português. Às tantas, muitos optaram por postar imagens e frases curtas e descritivas.

Pessoalmente senti sucesso por todo o lado. Quem entrava na sala de informática deparava-se com um ambiente de trabalho onde apenas se sussurrava (diga-se que para estes alunos falar alto e incidentes disciplinares era a norma). Não tive os casos de indisciplina comuns noutras ocasiões (só na minha direcção de turma fui instrutor de seis processos disciplinares graves, tendo detectado uma situação gravíssima de bullying). Nenhum aluno queria ser afastado do seu PC e isso para mim foi o suficiente.

[PdE] Quais as mais valias de aprendizagem que ele representou no contexto da disciplina, de acordo com a sua avaliação?
[LPJ]
Não estive atento, melhor, não tive como avaliar seriamente o impacto deste trabalho. Intuitivamente digo-vos que, para ter algum efeito, é necessário os alunos terem também o seu blog, estarmos nisto juntos. A recepção do Geografismos na turma que apenas tinha Geografia comigo foi muito menos intensa (coincidentemente, era a turma com maiores dificuldades de aprendizagem, menor número de PC’s em casa e menor número de idas à sala de informática).

No Geografismos, para além dos comentários “fun” do professor, encontravam dicas e materiais úteis, datas de trabalhos e testes corrigidos. Imagens e textos de grande qualidade eram linkados e completados nas aulas por materiais algo exóticos e de igual qualidade (cartas militares, negativos de fotografias aéreas, ortofotomapas, cartas imagem, etc.). Creio que o conjunto final transmitia uma sensação de rigor, esforço e alguma “conexão” ao mundo real da Geografia e ciência.

[PdE] Os alunos que participaram no projecto acedem aos blogues geralmente a partir de casa ou da escola que frequentam?
[LPJ] Em Évora poucos tinham Internet em casa. Sei que por altura do Natal os blogs foram a desculpa ideal para exigir a net como prenda no sapato.

O maior volume de acessos vinha da sala de informática, facto que me levou a instalar um contador baseado em “hits” e não em visitantes; houve dias que os catorze PC da escola eram visitados por mais de quarenta alunos bloguistas (ninguém tinha que abrir obrigatoriamente o blog do professor para trabalhar, pelo que fiquei muito curioso quanto ao número dos que livremente o faziam).

Tirando as aulas de AP havia os intervalos e furos que eram passados a postar e a pesquisar materiais.

No presente ano, no Pinheirinho, Almada, apesar de alguns alunos não terem acesso à Internet no seu lar, creio que o uso domiciliar de pc’s explicará uma maior facilidade na criação de blogs.

[PdE] Como resolveu o problema da privacidade dos alunos e da sua própria, que acabam um pouco expostas num blogue com estas características, e para mais num âmbito escolar?
[LPJ] A ideia foi justamente expor-nos ao olhar e avaliação dos outros. Prefiro dar aulas de porta aberta, tal como prefiro mostrar o trabalho que andamos a fazer. Assino no blog sem pseudónimo, é o meu nome, é o meu trabalho.

Incentivo e pratico a exposição como uma forma de responsabilização, sujeito-me a ser avaliado da mesma forma que os trabalhos dos meus alunos são sujeitos à avaliação do público em geral.

Quanto à reserva de privacidade em relação a internautas mal intencionados exigi o óbvio: telefones, códigos, moradas e outras informações só se trocam cara a cara. Quanto ao resto são informações públicas que qualquer um pode aceder através duma pauta afixada no átrio da escola.

Recebi apenas uma intromissão não desejada: o meu mail teve um ligeiro acréscimo de lixo electrónico.

Permitam-me uma observação genérica: questões de privacidade mais graves são levantadas pelos telemóveis de terceira geração, com máquina fotográfica incorporada. Permitindo a circulação anónima de imagens não consentidas na rede. Sobre eles recai o meu único zelo de professor preocupado.


“Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada.”

[PdE] Teve conhecimento de que os pais dos alunos acompanhassem esta iniciativa e acedessem ao Geografismos? Recebeu algum eco desse acompanhamento eventual dos EE?
[LPJ] Alguns pais fizeram-no. No ano anterior recebi publicamente elogios, sobretudo do Representante dos Encarregados de Educação que se mostrou atento e prestável em bons conselhos. Outros pais aproveitaram a existência de mail para solicitar respostas muito dirigidas aos assuntos dos seus educandos. Diga-se, contudo, que do ponto de vista parental o mail pode ser muito mais útil do que o próprio blog.

Na nova escola suspeito que haja um acompanhamento mais numeroso devido a circunstâncias sociais distintas das do ano anterior, talvez outros hábitos culturais. Veremos.

[PdE] A sua experiência tem sido seguida na escola por outros colegas, ou é um caso isolado? Tem conhecimento de que outros colegas de escola utilizam este formato do weblog para as suas aulas?
[LPJ] Dedicados a alunos conheço o GENTE JOVEM, entretanto desactivado, o OUGUELA BLOG e o NETESCRITA com os quais tenho criado laços. Há depois um razoável número de blogs, com grande qualidade, dedicados a reflectir a escola e a educação em geral.

Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada. As TIC, e os blogs sobretudo, se conhecidos, são encarados como modismos. Repare que é fácil encontrar no professorado algum desconhecimento de software como o Word ou Excel. Seria inusitado pedir-lhes algum tipo de empatia para com a blogosfera…

Actualmente, na escola do Pinheirinho, encontro uma disponibilidade individual muito mais promissora (ando a convencer três colegas a criarem os seus weblogs, e a professora de português iniciou o seu recentemente), apesar de outras dificuldades surgirem: uma ligação de 128kb para todos os PC’s em rede torna impossível correr o Geografismos, uma sala de informática que não funciona e um cubículo com PC’s na biblioteca cujo uso é disputado por todos…


“No fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta”

[PdE] Com que regularidade acompanhou a escrita dos alunos nos seus blogues? Que tipo de apoio lhes prestou, que tipo de trabalho faz com eles a esse nível?
[LPJ]
Durante as aulas de AP (em Évora só nesse momento acedia à net) e nos fins-de-semana. De resto os amigos divertiam-se a acompanhar os blogs dos alunos e mandavam-me as novidades mais estridentes.

Logo no início ainda tentei um acompanhamento via sistema de comentários, mas (para além de poder parecer um metediço) o elevado número de alunos a visitar tornava tudo isto impossível.

O melhor acompanhamento foi feito na aula. Episodicamente fazia uma vistoria ao conjunto dos blogues para os classificar de acordo com as notas que a “disciplina” AP permitia: “Não Satisfaz”, “Satisfaz” e “Satisfaz Bem”, transmutados em “tenho um blog pobrezinho”, “tenho um blog e posso melhorar” e “o meu blog é interessante” (não seria exactamente esta a expressão, mas não andarei longe); excepcionalmente criámos uma categoria para os mais que bons, o “está a dar que falar”.

Lá para o fim do ano, a maior parte dos alunos já não me queriam por perto; gostavam de resolver sozinhos as suas dificuldades operacionais.

[PdE] Quanto tempo costumava dedicar a este trabalho de acompanhamento? Em que altura do seu dia de trabalho o realizava?
[LPJ] Uma vistoria completa era todo um fim-de-semana de trabalho: abrir o blog de cada um, espreitar os arquivos, ver o HTML do código fonte quando havia erros na apresentação, insistir quando teimava em não abrir, para, finalmente, actualizar todos os links no template do Geografismos.

Na escola acabei afastado da sala de professores: passei a maioria dos intervalos da manhã na sala de informática, mas aí, o problema da lentidão na navegação em “horas de ponta” era demolidor.

[PdE] De que modo cruzava o seu trabalho de aula com o trabalho on-line de todos os participantes, inclusive o seu? Evocava frequentemente, em ambiente de aula, o trabalho realizado on-line?
[LPJ] As correcções dos testes escritos remeto-as sempre para o Geografismos (no fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta). Para alguns trabalhos maiores o mesmo aconteceu.
Como a maior parte dos alunos optou por não usar os blogs para criarem conteúdos relativos às aulas, ficou para o Geografismos o papel de ligação às matérias de estudo. Procurei dar-lhes fontes de grande qualidade (apesar da questão do Inglês): imagens de satélite das principais agências espaciais, documentos de instituições de mérito internacional.

Na aula apenas evocava os materiais on-line enquanto complemento, nunca quis usá-los como base de trabalho. Oferecia complementos. Para quem queria ir mais além oferecia, sem o intuito de ser exaustivo, links e materiais on-line. E, sobretudo, procurei dar-lhes o melhor que há na Web internacional.

No Geografismos estão disponíveis apenas 27 links referentes à Geografia que tanto servem para o terceiro ciclo como para o ensino universitário; mas são do melhor que há em termos absolutos (servem para universitários, sem dúvida, mas como todos este sites têm materiais didácticos de excelente qualidade, adequados a diferentes níveis etários, não é desajustado remeter para tais links os alunos mais afoitos).

Misturar materiais mais acessíveis com outros de elevada qualidade permite-me, também, salvaguardar os alunos mais dotados: se avançar muito mais rapidamente que outros nas matérias de estudo, não terá, contudo, razões para ficar bloqueado ou saturado pelo ritmo mais lento dos restantes colegas.


“O meu Prozac”

[PdE] A escrita regular no blog alterou de algum modo a relação dos alunos entre si, no contexto da escola e da sala de aula, e destes com o professor? – uma vez que este exercício de escrita veio introduzir uma nova dimensão de relação entre os vários intervenientes. Mudou a relação dos alunos com a disciplina?
[LPJ] Creio que sim. Tive revelações inesperadas do carácter e do trabalho com qualidade que um aluno de 12 anos pode dar. Fiz questão de não trazer para a Internet a relação do professor-aluno baseada na autoridade social, seria fugir desnecessariamente ao espírito da blogosfera.

Em simultâneo, fui sempre organizado, exigente, duro e fraterno, claro nas acções tomadas; enquanto que, pelo lado dos alunos, havia o interesse em não ficarem excluídos das sessões de trabalho; o somatório final reflectiu-se na sala de aula: queria um ambiente de equipa, de trabalho, mandava neles através do exemplo, impunha-me pelo conhecimento e experiência. Lá para o fim já não era necessário mandar, cada um sabia o seu papel. Ganhámos imenso tempo de trabalho com este espírito de grupo. Em Geografia, já sem PC’s, o ambiente continuava. (É claro que foram situações de aula pouco comuns e não podem servir de exemplo, mas trata-se do meu ideal de liderança de grupos e tento, actualmente, recriá-lo na nova escola – uma pena ter de recomeçar tudo, todos os anos).

[PdE] De que modo considera que estes novos recursos podem ser utilizados mais extensamente pelas escolas? Considera que as escolas, e nomeadamente os professores, estão a explorar estes recursos devidamente com os seus alunos?
[LPJ]
Basta ter mais PC’s e boas ligações de banda larga. Mais cedo ou mais tarde surgirá alguém com vontade de usar estas ferramentas.

A segunda parte da vossa questão leva-nos à dificuldade da sub-exploração dos recursos, do desinteresse generalizado que não sei como podemos alterar; mas será irrelevante dar conselhos de como alguém deve proceder ou mudar de hábitos de trabalho, procedo eu, mudo eu e, ainda assim, já é o que é…

[PdE] O projecto para este ano lectivo mantém as premissas iniciais? Apenas mudam os protagonistas? Ou a eventualidade de mudar de escola, como deixa implícito no blog, obriga-o a partir do zero?
[LPJ] Mais ou menos. Estou mais afinado, posso ser mais eficaz. Veremos. Acabei por mudar de escola, comecei as aulas apenas a 11 de Outubro, pelo que ainda é cedo para perceber o rumo de tudo isto.

As novas dificuldades: as condições materiais. De escola para escola as condições físicas e os hábitos de trabalho são tão distintos que pequenos nadas tornam-se grandes obstáculos. Este ano, por exemplo, tenho de encontrar um servidor exclusivamente meu. A sala de informática está inoperacional, sendo o melhor espaço de trabalho uma secção da biblioteca com 10 PC’s ultra lentos e com os quais apenas podemos contar duas vezes ao longo do mês de Novembro e outras duas no mês de Dezembro. Também a quantidade de alunos é 3 vezes menos (porque só lecciona AP quem é DT).

As novas facilidades: os alunos e professores. Talvez haja mais gente interessada, alunos muito dedicados (é o que me parece por agora): já fizeram blogs apesar de termos tido uma única aula.

Desafio-me a encontrar uma solução à prova das oscilações conjunturais. Não será o melhor, mas, provavelmente, passará por centrar o trabalho na minha pessoa, depender de mim próprio. Irei inventando algumas respostas em prol da continuidade. Quem sabe o Geografismos não se venha a transformar no meu Prozac para estes dias de confusão educacional…


DESTAQUES:

“Pessoalmente senti sucesso por todo o lado. Quem entrava na sala de informática deparava-se com um ambiente de trabalho onde apenas se sussurrava (diga-se que para estes alunos falar alto e incidentes disciplinares eram a norma).”

“No Geografismos, para além dos comentários “fun” do professor, encontravam dicas e materiais úteis, datas de trabalhos e testes corrigidos. Imagens e textos de grande qualidade eram linkados e completados nas aulas por materiais algo exóticos e de igual qualidade (cartas militares, negativos de fotografias aéreas, ortofotomapas, cartas imagem, etc.).”

“As correcções dos testes escritos remeto-as sempre para o Geografismos (no fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta). Para alguns trabalhos maiores o mesmo aconteceu. Como a maior parte dos alunos optou por não usar os blogs para criarem conteúdos relativos às aulas, ficou para o Geografismos o papel de ligação às matérias de estudo.”

“Alguns pais aproveitaram a existência de mail para solicitar respostas muito dirigidas aos assuntos dos seus educandos. Diga-se, contudo, que do ponto de vista parental o mail pode ser muito mais útil do que o próprio blog.”

“Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada. As TIC, e os blogs (...) são encarados como modismos. Repare que é fácil encontrar no professorado algum desconhecimento de software como o Word ou Excel. Seria inusitado pedir-lhes algum tipo de empatia para com a blogosfera…”

“Uma vistoria completa era todo um fim-de-semana de trabalho: abrir o blog de cada um, espreitar os arquivos, ver o HTML do código fonte quando havia erros na apresentação, insistir quando teimava em não abrir, para, finalmente, actualizar todos os links no template do Geografismos. Na escola acabei afastado da sala de professores: passei a maioria dos intervalos da manhã na sala de informática, mas aí, o problema da lentidão na navegação em “horas de ponta” era demolidor.”

“Em Évora poucos tinham Internet em casa. Sei que por altura do Natal os blogs foram a desculpa ideal para exigir a net como prenda no sapato.”

“Incentivo e pratico a exposição como uma forma de responsabilização, sujeito-me a ser avaliado da mesma forma que os trabalhos dos meus alunos são sujeitos à avaliação do público em geral.”

“Fiz questão de não trazer para a Internet a relação do professor-aluno baseada na autoridade social; seria fugir desnecessariamente ao espírito da blogosfera.”

[Quest.: José Gustavo Teixeira]

 
“A cada professor, a cada aluno um blog!” (continuação)
“O gosto pelas TIC não era dominante na escola”

[PdE] Um projecto inovador como este, que envolveu não só a sua disciplina, mas também áreas curriculares não disciplinares, foi acompanhado com interesse pela escola, nomeadamente pelos colegas de trabalho mais directamente envolvidos com as turmas que participam?
[LPJ] Não muito. Julgo que por mero acaso o gosto pelas TIC não era dominante na escola. Ao nível das turmas aconteceu que nenhum dos professores se sentia à vontade com as novas tecnologias. O assunto “blogs” era, ao momento, desconhecido, sendo, inclusive, o uso da informática em AP muito residual (normalmente, pesquisas no Google). Contudo esta aparente adversidade permitiu-me requisitar a sala de informática durante um ano inteiro sem prejudicar ninguém.

Factor explicativo, não menos importante, encontra-se no meu estatuto profissional que me leva, enquanto professor contratado, a deambular anualmente pelas mais distintas escolas. Chegar a um estabelecimento que já tem a sua “cultura de trabalho” e impor novidades, ou mudanças acentuadas, não será o mais natural. Compreendo que não haja tempo, disponibilidade e sensibilidade para calcular as consequências dum trabalho nestes moldes por parte de colegas que não me conhecem. E, de resto, será legítimo esperar que outros apreciem trabalhos on-line com a intensidade com que o faço?

[PdE] Teve apoios, inclusive aconselhamento técnico, de algum tipo para manter e desenvolver este sítio?
[LPJ] Felizmente o Geografismos é simples do ponto de vista técnico, e qualquer um, imbuído de empenho mínimo, pode fazer igual. Não houve, nem foi necessário, ajudas externas. Aliás, a sua evolução pautou-se pela regra do “simples”: ter apenas o necessário e sem adornos. Ferramentas elaboradas ou exóticas não interessam. O ideal perseguido foi ter lá bons conteúdos e evitar complexidades técnicas. A consequência imediata foi uma simplicidade que me salvou da dependência de “oscilações laborais”.

A ajuda que pedi, e tive, foi espaço no servidor da escola para alojar documentos e imagens. Mas este é um vínculo a não manter no futuro, pois arrisco mudanças sucessivas de escola, as equipas técnicas estão sujeitas a constantes alterações, e, quem venha, não irá perceber, por exemplo, porque há uma pasta aparentemente inútil, a ocupar 25 MB de espaço alojados, no longínquo ano de 2003, no servidor de uma escola onde não trabalho…

Enfim, mesmo que houvesse inúmeros “apoios” e “aconselhamentos técnicos” convirá não depender deles.


“Pessoalmente senti sucesso por todo o lado.”

[PdE] O interesse dos alunos manteve-se a bom nível durante todo o ano ou sofreu flutuações e momentos baixos? Como conseguiu motivá-los para este trabalho?
[LPJ] Creio que o interesse foi razoável e constante. O senão era uma falta de hábitos de leitura e escrita. Se reparar escreveram pouco e, nesse pouco, sobressai o mau português. Às tantas, muitos optaram por postar imagens e frases curtas e descritivas.

Pessoalmente senti sucesso por todo o lado. Quem entrava na sala de informática deparava-se com um ambiente de trabalho onde apenas se sussurrava (diga-se que para estes alunos falar alto e incidentes disciplinares era a norma). Não tive os casos de indisciplina comuns noutras ocasiões (só na minha direcção de turma fui instrutor de seis processos disciplinares graves, tendo detectado uma situação gravíssima de bullying). Nenhum aluno queria ser afastado do seu PC e isso para mim foi o suficiente.

[PdE] Quais as mais valias de aprendizagem que ele representou no contexto da disciplina, de acordo com a sua avaliação?
[LPJ] Não estive atento, melhor, não tive como avaliar seriamente o impacto deste trabalho. Intuitivamente digo-vos que, para ter algum efeito, é necessário os alunos terem também o seu blog, estarmos nisto juntos. A recepção do Geografismos na turma que apenas tinha Geografia comigo foi muito menos intensa (coincidentemente, era a turma com maiores dificuldades de aprendizagem, menor número de PC’s em casa e menor número de idas à sala de informática).

No Geografismos, para além dos comentários “fun” do professor, encontravam dicas e materiais úteis, datas de trabalhos e testes corrigidos. Imagens e textos de grande qualidade eram linkados e completados nas aulas por materiais algo exóticos e de igual qualidade (cartas militares, negativos de fotografias aéreas, ortofotomapas, cartas imagem, etc.). Creio que o conjunto final transmitia uma sensação de rigor, esforço e alguma “conexão” ao mundo real da Geografia e ciência.

[PdE] Os alunos que participaram no projecto acedem aos blogues geralmente a partir de casa ou da escola que frequentam?
[LPJ] Em Évora poucos tinham Internet em casa. Sei que por altura do Natal os blogs foram a desculpa ideal para exigir a net como prenda no sapato.

O maior volume de acessos vinha da sala de informática, facto que me levou a instalar um contador baseado em “hits” e não em visitantes; houve dias que os catorze PC da escola eram visitados por mais de quarenta alunos bloguistas (ninguém tinha que abrir obrigatoriamente o blog do professor para trabalhar, pelo que fiquei muito curioso quanto ao número dos que livremente o faziam).

Tirando as aulas de AP havia os intervalos e furos que eram passados a postar e a pesquisar materiais.

No presente ano, no Pinheirinho, Almada, apesar de alguns alunos não terem acesso à Internet no seu lar, creio que o uso domiciliar de pc’s explicará uma maior facilidade na criação de blogs.

[PdE] Como resolveu o problema da privacidade dos alunos e da sua própria, que acabam um pouco expostas num blogue com estas características, e para mais num âmbito escolar?
[LPJ] A ideia foi justamente expor-nos ao olhar e avaliação dos outros. Prefiro dar aulas de porta aberta, tal como prefiro mostrar o trabalho que andamos a fazer. Assino no blog sem pseudónimo, é o meu nome, é o meu trabalho.

Incentivo e pratico a exposição como uma forma de responsabilização, sujeito-me a ser avaliado da mesma forma que os trabalhos dos meus alunos são sujeitos à avaliação do público em geral.

Quanto à reserva de privacidade em relação a internautas mal intencionados exigi o óbvio: telefones, códigos, moradas e outras informações só se trocam cara a cara. Quanto ao resto são informações públicas que qualquer um pode aceder através duma pauta afixada no átrio da escola.

Recebi apenas uma intromissão não desejada: o meu mail teve um ligeiro acréscimo de lixo electrónico.

Permitam-me uma observação genérica: questões de privacidade mais graves são levantadas pelos telemóveis de terceira geração, com máquina fotográfica incorporada. Permitindo a circulação anónima de imagens não consentidas na rede. Sobre eles recai o meu único zelo de professor preocupado.


“Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada.”

[PdE] Teve conhecimento de que os pais dos alunos acompanhassem esta iniciativa e acedessem ao Geografismos? Recebeu algum eco desse acompanhamento eventual dos EE?
[LPJ] Alguns pais fizeram-no. No ano anterior recebi publicamente elogios, sobretudo do Representante dos Encarregados de Educação que se mostrou atento e prestável em bons conselhos. Outros pais aproveitaram a existência de mail para solicitar respostas muito dirigidas aos assuntos dos seus educandos. Diga-se, contudo, que do ponto de vista parental o mail pode ser muito mais útil do que o próprio blog.

Na nova escola suspeito que haja um acompanhamento mais numeroso devido a circunstâncias sociais distintas das do ano anterior, talvez outros hábitos culturais. Veremos.

[PdE] A sua experiência tem sido seguida na escola por outros colegas, ou é um caso isolado? Tem conhecimento de que outros colegas de escola utilizam este formato do weblog para as suas aulas?
[LPJ]
Dedicados a alunos conheço o GENTE JOVEM, entretanto desactivado, o OUGUELA BLOG e o NETESCRITA com os quais tenho criado laços. Há depois um razoável número de blogs, com grande qualidade, dedicados a reflectir a escola e a educação em geral.

Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada. As TIC, e os blogs sobretudo, se conhecidos, são encarados como modismos. Repare que é fácil encontrar no professorado algum desconhecimento de software como o Word ou Excel. Seria inusitado pedir-lhes algum tipo de empatia para com a blogosfera…

Actualmente, na escola do Pinheirinho, encontro uma disponibilidade individual muito mais promissora (ando a convencer três colegas a criarem os seus weblogs, e a professora de português iniciou o seu recentemente), apesar de outras dificuldades surgirem: uma ligação de 128kb para todos os PC’s em rede torna impossível correr o Geografismos, uma sala de informática que não funciona e um cubículo com PC’s na biblioteca cujo uso é disputado por todos…


“No fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta”

[PdE] Com que regularidade acompanhou a escrita dos alunos nos seus blogues? Que tipo de apoio lhes prestou, que tipo de trabalho faz com eles a esse nível?
[LPJ] Durante as aulas de AP (em Évora só nesse momento acedia à net) e nos fins-de-semana. De resto os amigos divertiam-se a acompanhar os blogs dos alunos e mandavam-me as novidades mais estridentes.

Logo no início ainda tentei um acompanhamento via sistema de comentários, mas (para além de poder parecer um metediço) o elevado número de alunos a visitar tornava tudo isto impossível.

O melhor acompanhamento foi feito na aula. Episodicamente fazia uma vistoria ao conjunto dos blogues para os classificar de acordo com as notas que a “disciplina” AP permitia: “Não Satisfaz”, “Satisfaz” e “Satisfaz Bem”, transmutados em “tenho um blog pobrezinho”, “tenho um blog e posso melhorar” e “o meu blog é interessante” (não seria exactamente esta a expressão, mas não andarei longe); excepcionalmente criámos uma categoria para os mais que bons, o “está a dar que falar”.

Lá para o fim do ano, a maior parte dos alunos já não me queriam por perto; gostavam de resolver sozinhos as suas dificuldades operacionais.

[PdE] Quanto tempo costumava dedicar a este trabalho de acompanhamento? Em que altura do seu dia de trabalho o realizava?
[LPJ] Uma vistoria completa era todo um fim-de-semana de trabalho: abrir o blog de cada um, espreitar os arquivos, ver o HTML do código fonte quando havia erros na apresentação, insistir quando teimava em não abrir, para, finalmente, actualizar todos os links no template do Geografismos.

Na escola acabei afastado da sala de professores: passei a maioria dos intervalos da manhã na sala de informática, mas aí, o problema da lentidão na navegação em “horas de ponta” era demolidor.

[PdE] De que modo cruzava o seu trabalho de aula com o trabalho on-line de todos os participantes, inclusive o seu? Evocava frequentemente, em ambiente de aula, o trabalho realizado on-line?
[LPJ]
As correcções dos testes escritos remeto-as sempre para o Geografismos (no fim do ano poupei 6 aulas num total de sessenta). Para alguns trabalhos maiores o mesmo aconteceu.
Como a maior parte dos alunos optou por não usar os blogs para criarem conteúdos relativos às aulas, ficou para o Geografismos o papel de ligação às matérias de estudo. Procurei dar-lhes fontes de grande qualidade (apesar da questão do Inglês): imagens de satélite das principais agências espaciais, documentos de instituições de mérito internacional.

Na aula apenas evocava os materiais on-line enquanto complemento, nunca quis usá-los como base de trabalho. Oferecia complementos. Para quem queria ir mais além oferecia, sem o intuito de ser exaustivo, links e materiais on-line. E, sobretudo, procurei dar-lhes o melhor que há na Web internacional.

No Geografismos estão disponíveis apenas 27 links referentes à Geografia que tanto servem para o terceiro ciclo como para o ensino universitário; mas são do melhor que há em termos absolutos (servem para universitários, sem dúvida, mas como todos este sites têm materiais didácticos de excelente qualidade, adequados a diferentes níveis etários, não é desajustado remeter para tais links os alunos mais afoitos).

Misturar materiais mais acessíveis com outros de elevada qualidade permite-me, também, salvaguardar os alunos mais dotados: se avançar muito mais rapidamente que outros nas matérias de estudo, não terá, contudo, razões para ficar bloqueado ou saturado pelo ritmo mais lento dos restantes colegas.


“O meu Prozac”

[PdE] A escrita regular no blog alterou de algum modo a relação dos alunos entre si, no contexto da escola e da sala de aula, e destes com o professor? – uma vez que este exercício de escrita veio introduzir uma nova dimensão de relação entre os vários intervenientes. Mudou a relação dos alunos com a disciplina?
[LPJ] Creio que sim. Tive revelações inesperadas do carácter e do trabalho com qualidade que um aluno de 12 anos pode dar. Fiz questão de não trazer para a Internet a relação do professor-aluno baseada na autoridade social, seria fugir desnecessariamente ao espírito da blogosfera.

Em simultâneo, fui sempre organizado, exigente, duro e fraterno, claro nas acções tomadas; enquanto que, pelo lado dos alunos, havia o interesse em não ficarem excluídos das sessões de trabalho; o somatório final reflectiu-se na sala de aula: queria um ambiente de equipa, de trabalho, mandava neles através do exemplo, impunha-me pelo conhecimento e experiência. Lá para o fim já não era necessário mandar, cada um sabia o seu papel. Ganhámos imenso tempo de trabalho com este espírito de grupo. Em Geografia, já sem PC’s, o ambiente continuava. (É claro que foram situações de aula pouco comuns e não podem servir de exemplo, mas trata-se do meu ideal de liderança de grupos e tento, actualmente, recriá-lo na nova escola – uma pena ter de recomeçar tudo, todos os anos).

[PdE] De que modo considera que estes novos recursos podem ser utilizados mais extensamente pelas escolas? Considera que as escolas, e nomeadamente os professores, estão a explorar estes recursos devidamente com os seus alunos?
[LPJ] Basta ter mais PC’s e boas ligações de banda larga. Mais cedo ou mais tarde surgirá alguém com vontade de usar estas ferramentas.

A segunda parte da vossa questão leva-nos à dificuldade da sub-exploração dos recursos, do desinteresse generalizado que não sei como podemos alterar; mas será irrelevante dar conselhos de como alguém deve proceder ou mudar de hábitos de trabalho, procedo eu, mudo eu e, ainda assim, já é o que é…

[PdE] O projecto para este ano lectivo mantém as premissas iniciais? Apenas mudam os protagonistas? Ou a eventualidade de mudar de escola, como deixa implícito no blog, obriga-o a partir do zero?
[LPJ] Mais ou menos. Estou mais afinado, posso ser mais eficaz. Veremos. Acabei por mudar de escola, comecei as aulas apenas a 11 de Outubro, pelo que ainda é cedo para perceber o rumo de tudo isto.

As novas dificuldades: as condições materiais. De escola para escola as condições físicas e os hábitos de trabalho são tão distintos que pequenos nadas tornam-se grandes obstáculos. Este ano, por exemplo, tenho de encontrar um servidor exclusivamente meu. A sala de informática está inoperacional, sendo o melhor espaço de trabalho uma secção da biblioteca com 10 PC’s ultra lentos e com os quais apenas podemos contar duas vezes ao longo do mês de Novembro e outras duas no mês de Dezembro. Também a quantidade de alunos é 3 vezes menos (porque só lecciona AP quem é DT).

As novas facilidades: os alunos e professores. Talvez haja mais gente interessada, alunos muito dedicados (é o que me parece por agora): já fizeram blogs apesar de termos tido uma única aula.

Desafio-me a encontrar uma solução à prova das oscilações conjunturais. Não será o melhor, mas, provavelmente, passará por centrar o trabalho na minha pessoa, depender de mim próprio. Irei inventando algumas respostas em prol da continuidade. Quem sabe o Geografismos não se venha a transformar no meu Prozac para estes dias de confusão educacional…

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

 
“O gosto pelas TIC não era dominante na escola”
[PdE] Um projecto inovador como este, que envolveu não só a sua disciplina, mas também áreas curriculares não disciplinares, foi acompanhado com interesse pela escola, nomeadamente pelos colegas de trabalho mais directamente envolvidos com as turmas que participam?
[LPJ] Não muito. Julgo que por mero acaso o gosto pelas TIC não era dominante na escola. Ao nível das turmas aconteceu que nenhum dos professores se sentia à vontade com as novas tecnologias. O assunto “blogs” era, ao momento, desconhecido, sendo, inclusive, o uso da informática em AP muito residual (normalmente, pesquisas no Google). Contudo esta aparente adversidade permitiu-me requisitar a sala de informática durante um ano inteiro sem prejudicar ninguém.

Factor explicativo, não menos importante, encontra-se no meu estatuto profissional que me leva, enquanto professor contratado, a deambular anualmente pelas mais distintas escolas. Chegar a um estabelecimento que já tem a sua “cultura de trabalho” e impor novidades, ou mudanças acentuadas, não será o mais natural. Compreendo que não haja tempo, disponibilidade e sensibilidade para calcular as consequências dum trabalho nestes moldes por parte de colegas que não me conhecem. E, de resto, será legítimo esperar que outros apreciem trabalhos on-line com a intensidade com que o faço?

[PdE] Teve apoios, inclusive aconselhamento técnico, de algum tipo para manter e desenvolver este sítio?
[LPJ] Felizmente o Geografismos é simples do ponto de vista técnico, e qualquer um, imbuído de empenho mínimo, pode fazer igual. Não houve, nem foi necessário, ajudas externas. Aliás, a sua evolução pautou-se pela regra do “simples”: ter apenas o necessário e sem adornos. Ferramentas elaboradas ou exóticas não interessam. O ideal perseguido foi ter lá bons conteúdos e evitar complexidades técnicas. A consequência imediata foi uma simplicidade que me salvou da dependência de “oscilações laborais”.

A ajuda que pedi, e tive, foi espaço no servidor da escola para alojar documentos e imagens. Mas este é um vínculo a não manter no futuro, pois arrisco mudanças sucessivas de escola, as equipas técnicas estão sujeitas a constantes alterações, e, quem venha, não irá perceber, por exemplo, porque há uma pasta aparentemente inútil, a ocupar 25 MB de espaço alojados, no longínquo ano de 2003, no servidor de uma escola onde não trabalho…

Enfim, mesmo que houvesse inúmeros “apoios” e “aconselhamentos técnicos” convirá não depender deles.

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

 
“Pessoalmente senti sucesso por todo o lado.”
[PdE] O interesse dos alunos manteve-se a bom nível durante todo o ano ou sofreu flutuações e momentos baixos? Como conseguiu motivá-los para este trabalho?
[LPJ] Creio que o interesse foi razoável e constante. O senão era uma falta de hábitos de leitura e escrita. Se reparar escreveram pouco e, nesse pouco, sobressai o mau português. Às tantas, muitos optaram por postar imagens e frases curtas e descritivas.

Pessoalmente senti sucesso por todo o lado. Quem entrava na sala de informática deparava-se com um ambiente de trabalho onde apenas se sussurrava (diga-se que para estes alunos falar alto e incidentes disciplinares era a norma). Não tive os casos de indisciplina comuns noutras ocasiões (só na minha direcção de turma fui instrutor de seis processos disciplinares graves, tendo detectado uma situação gravíssima de bullying). Nenhum aluno queria ser afastado do seu PC e isso para mim foi o suficiente.

[PdE] Quais as mais valias de aprendizagem que ele representou no contexto da disciplina, de acordo com a sua avaliação?
[LPJ] Não estive atento, melhor, não tive como avaliar seriamente o impacto deste trabalho. Intuitivamente digo-vos que, para ter algum efeito, é necessário os alunos terem também o seu blog, estarmos nisto juntos. A recepção do Geografismos na turma que apenas tinha Geografia comigo foi muito menos intensa (coincidentemente, era a turma com maiores dificuldades de aprendizagem, menor número de PC’s em casa e menor número de idas à sala de informática).

No Geografismos, para além dos comentários “fun” do professor, encontravam dicas e materiais úteis, datas de trabalhos e testes corrigidos. Imagens e textos de grande qualidade eram linkados e completados nas aulas por materiais algo exóticos e de igual qualidade (cartas militares, negativos de fotografias aéreas, ortofotomapas, cartas imagem, etc.). Creio que o conjunto final transmitia uma sensação de rigor, esforço e alguma “conexão” ao mundo real da Geografia e ciência.

[PdE] Os alunos que participaram no projecto acedem aos blogues geralmente a partir de casa ou da escola que frequentam?
[LPJ] Em Évora poucos tinham Internet em casa. Sei que por altura do Natal os blogs foram a desculpa ideal para exigir a net como prenda no sapato.

O maior volume de acessos vinha da sala de informática, facto que me levou a instalar um contador baseado em “hits” e não em visitantes; houve dias que os catorze PC da escola eram visitados por mais de quarenta alunos bloguistas (ninguém tinha que abrir obrigatoriamente o blog do professor para trabalhar, pelo que fiquei muito curioso quanto ao número dos que livremente o faziam).

Tirando as aulas de AP havia os intervalos e furos que eram passados a postar e a pesquisar materiais.

No presente ano, no Pinheirinho, Almada, apesar de alguns alunos não terem acesso à Internet no seu lar, creio que o uso domiciliar de pc’s explicará uma maior facilidade na criação de blogs.

[PdE] Como resolveu o problema da privacidade dos alunos e da sua própria, que acabam um pouco expostas num blogue com estas características, e para mais num âmbito escolar?
[LPJ] A ideia foi justamente expor-nos ao olhar e avaliação dos outros. Prefiro dar aulas de porta aberta, tal como prefiro mostrar o trabalho que andamos a fazer. Assino no blog sem pseudónimo, é o meu nome, é o meu trabalho.

Incentivo e pratico a exposição como uma forma de responsabilização, sujeito-me a ser avaliado da mesma forma que os trabalhos dos meus alunos são sujeitos à avaliação do público em geral.

Quanto à reserva de privacidade em relação a internautas mal intencionados exigi o óbvio: telefones, códigos, moradas e outras informações só se trocam cara a cara. Quanto ao resto são informações públicas que qualquer um pode aceder através duma pauta afixada no átrio da escola.

Recebi apenas uma intromissão não desejada: o meu mail teve um ligeiro acréscimo de lixo electrónico.

Permitam-me uma observação genérica: questões de privacidade mais graves são levantadas pelos telemóveis de terceira geração, com máquina fotográfica incorporada. Permitindo a circulação anónima de imagens não consentidas na rede. Sobre eles recai o meu único zelo de professor preocupado.

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

 
“Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada.”
[PdE] Teve conhecimento de que os pais dos alunos acompanhassem esta iniciativa e acedessem ao Geografismos? Recebeu algum eco desse acompanhamento eventual dos EE?
[LPJ] Alguns pais fizeram-no. No ano anterior recebi publicamente elogios, sobretudo do Representante dos Encarregados de Educação que se mostrou atento e prestável em bons conselhos. Outros pais aproveitaram a existência de mail para solicitar respostas muito dirigidas aos assuntos dos seus educandos. Diga-se, contudo, que do ponto de vista parental o mail pode ser muito mais útil do que o próprio blog.

Na nova escola suspeito que haja um acompanhamento mais numeroso devido a circunstâncias sociais distintas das do ano anterior, talvez outros hábitos culturais. Veremos.

[PdE] A sua experiência tem sido seguida na escola por outros colegas, ou é um caso isolado? Tem conhecimento de que outros colegas de escola utilizam este formato do weblog para as suas aulas?
[LPJ] Dedicados a alunos conheço o GENTE JOVEM, entretanto desactivado, o OUGUELA BLOG e o NETESCRITA com os quais tenho criado laços. Há depois um razoável número de blogs, com grande qualidade, dedicados a reflectir a escola e a educação em geral.

Quanto aos colegas, no meu local de trabalho, a recepção é distanciada. As TIC, e os blogs sobretudo, se conhecidos, são encarados como modismos. Repare que é fácil encontrar no professorado algum desconhecimento de software como o Word ou Excel. Seria inusitado pedir-lhes algum tipo de empatia para com a blogosfera…

Actualmente, na escola do Pinheirinho, encontro uma disponibilidade individual muito mais promissora (ando a convencer três colegas a criarem os seus weblogs, e a professora de português iniciou o seu recentemente), apesar de outras dificuldades surgirem: uma ligação de 128kb para todos os PC’s em rede torna impossível correr o Geografismos, uma sala de informática que não funciona e um cubículo com PC’s na biblioteca cujo uso é disputado por todos…

[Quest. Geografismos: “A cada professor, a cada aluno um blog!”]

terça-feira, novembro 02, 2004
 
FRASES (2)
"Os exames em si podem ser um bom indicador. Mas não dizem nada sobre o contexto das escolas, sobre a origem dos alunos e o seu passado escolar. Portanto, é incorrecto extrapolar dali que uma escola é boa ou má. O problema de muitos destes rankings não é a divulgação dos resultados, que é útil; é tentar, a partir daí, extrapolar conclusões que não são possíveis."

António Nóvoa à revista Visão, 14 Out 2004

***

"A divulgação dos resultados dos exames tem mérito; mas este tipo de rankings não me parece que tenham trazido um acréscimo de consciência por parte dos pais ou das famílias. Pelo contrário, houve situações de escolas que começaram a trabalhar para o ranking."

António Nóvoa, Ibidem

***

"Podemos criticar uma certa pobreza na divulgação destes dados – que têm por detrás uma agenda política e ideológica muito forte -, mas a verdade é que não têm dado origem a estudos mais sofisticados por parte da comunidade científica portuguesa. É pena."

António Nóvoa, Ibidem

***

"Vivemos numa sociedade onde a participação e a democracia são muito valorizadas. Mas parece, para certas correntes políticas, que este debate termina quando se atravessam as paredes da escola. A escola é uma instituição da sociedade, como as outras, e portanto deve reflectir todos estes debates."

António Nóvoa, Ibidem

***

"O ensino é das poucas profissões em que não há verdadeiramente profissionais de referência."

António Nóvoa, Ibidem